Medicina Ayurvédica Feminina

Foto: William Farlow

E se nossos médicos nos contassem que nossa saúde fisiológica fosse além da função da reprodução? A Ayurveda carrega em seus conhecimentos ancestrais, o olhar cuidadoso para nossos tecidos reprodutivos – Sukra, que faz referência ao planeta do amor, Vênus – para além dos nossos ciclos de menarca (primeira menstruação), gravidez e menopausa. De acordo com a compreensão dos nossos 7 principais tecidos na seguinte sequência e cadeia nutritiva: plasma, sangue, muscular, gorduroso, ósseo, nervoso e reprodutivo – observamos que o tecido reprodutivo da mulher é seu grande portal de criação e transformação, percebendo que recebe todo alimento físico, energético, mental e espiritual que são digeridos nos tecidos e estágios anteriores através do nosso Agni, fogo digestivo. Visto a semelhança da natureza da mulher com a natureza externa, seus ciclos internos podem ser um importante fenômeno de contemplação e observação que permitam um profundo conhecimento e diagnóstico de cada uma em sua natureza particular.

No ciclo da infância, as meninas tem uma constituição predominantemente Kapha para que a terra e a água permitam boas formações de todos seus tecidos. Já na adolescência, a primeira menstruação apresenta às meninas/mulheres seus primeiros contatos com Pitta que convidam o fogo e a água para reforçar seu Agni que participa do seu ciclo menstrual e acompanhe seu crescimento físico, intelectual e emocional, acompanhando-a em todos os seus ciclos menstruais na fase de mulher adulta. A mulher em sua fase de menopausa, encontra em Vata ar e éter um estado de mudança de metabolismo e flutuações de energia, permitindo também seu preparo para a velhice e compreensões de integração de todos os seus ciclos de vida-morte-vida. Podemos observar, esse belo jardim, como nosso próprio ciclo interno comunica essas fases, assim como a natureza lá fora.

Nosso fluxo menstrual é subproduto do tecido mais básico, Rasa Dhatu – plasma, que é um veículo para a alimentação transportando água, minerais, vitaminas, hormônios e nutrição para todo o corpo. Rasa nutre Rakta Dhatu – sangue, parte do fluxo menstrual que libera Pitta. Essas transformações ocorrem em etapas, que se recebem nossa atenção quanto à sua qualidade, consistência, nos descrevem como os Doshas estão atuando, e se há algum desequilíbrio que deve receber intervenção. Temos há 3 fases no ciclo menstrual, Rajakala – fase menstrual, Rutukala – fase ovulatória e Rutavaititakala – fase secretória e cada mulher experiencia uma influência dos Doshas predominantes de cada fase de maneira diferente, e para isso é muito importante que acompanhe seu compromisso com o auto-cuidado ou o suporte de terepeutas e/ou médicos que permitem desenhar a melhor rotina diária – dinacharya para cada mulher, como se fossem uma espécie de planta cada, em uma fase do ciclo da vida e do ciclo interno diferentes em relação com os ciclos da natureza de onde vivem.

A fase menstrual recebe grande influência de Vata – ar e éter, no pré-ovulatório e ovulatório recebem Kapha – terra e água para então a fase pré menstrual acolher Pitta – fogo e água, ciclicamente repetindo essas alterações. A mensagem mais importante é honrar com o descanso e rejuvenescimento que o próprio corpo nos convida mensalmente nesses ciclos e sempre atentar-se ao que se metaboliza do que se alimenta, e viver a potencialidade de cada fase em harmonia.

Rafaela Raggi é designer do livro Ciclos Menina Mulher, Moon Mother® nível II, atua como comunicadora visual e empresária, facilita círculos de mulheres mensalmente e dedica-se às terapias individuais como o Reiki, Ayurveda e o Despertar de Energias Femininas. Acredita na sutileza e poder da beleza e do amor como caminho. rafaelaraggi@gmail.com @ciclicidadealquimica

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