Os Ciclos Femininos

Foto: Jake Hills

Os ciclos da mulher são os que se aproximam dos ciclos da natureza, especialmente aos da Lua já que ambas têm ciclos de aproximadamente 29 dias. Nas comunidades primitivas, devido ao convívio e à maior proximidade possibilitada pela vida tribal, as mulheres costumavam menstruar no mesmo período e celebravam juntas cada um dos seus ciclos. Naquelas sociedades, o poder da lua estava ligado não somente à sua influência sobre as marés, mas também aos tempos de plantar, cuidar da terra e colher. Estando também ligado às fases da lua, o ciclo menstrual era respeitado representando períodos de introspecção, expansão, fertilidade e inspiração.

Apesar de termos, por muito tempo, perdido essa conexão com estes ciclos da natureza, é importante lembrar que todos nós (homens e mulheres) temos relógios internos aos quais deveríamos seguir e os quais estão diretamente ligados à Terra.

Para o Ayurveda, a menstruação continua tendo a mesma importância que nas sociedades acima mencionadas já que não é apenas um indicativo da saúde dos tecidos reprodutivos, mas é uma das maiores janelas para a saúde geral do corpo da mulher, tendo em vista que o próprio fluxo menstrual é um subproduto da primeira camada de tecido mais básica do corpo, o plasma (ou rasa dhatu). Sendo assim, se houver desequilíbrios no fluxo menstrual, possivelmente haverá desequilíbrios semelhantes em todo o corpo, uma vez que o plasma é a base a partir da qual todas as outras camadas de tecido são produzidas.

Durante a menstruação há um outro ponto muito importante a ser observado: a direção para onde o fluxo de energia interno está se movendo. Durante a menstruação, a energia deste ciclo se move, prioritariamente, para baixo e para fora ao que chamamos Apana Vata (ou Apana Vayu). Porém, existe outra energia, chamada Prana Vata (ou Prana Vayu), que se move para cima no corpo e nos dá energia, vitalidade e clareza mental. Se a mulher trabalha demais, pratica exercícios físicos de forma excessiva ou se submete a situações de estresse constante, essa energia do Prana não será suficiente para manter o ritmo deste corpo, fazendo com que Apana Vata, que deveria estar totalmente voltada à eliminação do sangue menstrual, inverta seu sentido indo para cima para “dar suporte”ao excesso de atividades com que estamos envolvidas. Neste caso, o corpo responde com diversos tipos de desequilíbrios menstruais, como por exemplo, uma menstruação fraca, com pouco sangue, parecida com borra de café.

Prana e Apana devem estar sempre em equilíbrio. Se estamos excessivamente ativas e Apana Vata começa a ficar enfraquecida, passa a requerer a energia de Prana para dar suporte ao período menstrual. Neste caso, a energia que deveria estar voltada para cima, para nossa vitalidade e clareza mental, se volta para baixo e durante os dias de menstruação ficamos exaustas, depressivas, letárgicas. Esse período, portanto, deve ser um momento de mais introspecção, silêncio e descanso; ao menos, o máximo que cada mulher conseguir, evitando atividades extras de qualquer natureza. Respeitar nossos ciclos é respeitar nossa natureza cíclica!

Tatiana Chaves  (@tatischaves) é Publicitária de formação, mas teve sua saúde de volta e sua vida transformada pelo Ayurveda e hoje busca compartilhar esta ciência milenar através de sua atuação como terapeuta no espaço Ayurveda Tridosha (@ayurvedatridosha) em Fortaleza (CE).

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