Meditação é autorresponsabilidade e transformação

O recurso mais precioso de um sistema de computador não é mais o processador, a memória, o disco ou a rede, mas a atenção humana, aponta um uma pesquisa da Universidade Carnegie Mellon – Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos. Isso porque nós nos distraímos cada vez mais com facilidade, pois fazemos parte de um mundo no qual somos bombardeados por recursos multimídias; fake news; youtube; redes sociais, whatsapp etc. Distrações para algo que virou o gargalo humano: a falta de foco e de atenção nas atividades e tarefas diárias.

No ambiente corporativo, somado a tudo isso, ainda há as demandas internas – reuniões, pedidos urgentes, solicitações da equipe, imprevistos. Quando nos damos conta, o dia está acabando e não conseguimos finalizar nenhuma atividade. E precisamos “correr atrás do prejuízo”. E a atividade em questão (relatórios, planejamentos etc) sempre fica aquém do nosso padrão de qualidade de entrega, porque somos perfeccionistas e competitivos. E isso gera um quadro de auto cobrança e de ansiedade. E essa situação se torna recorrente e habitual, e começa a comprometer a nossa saúde mental e a dos colaboradores de forma geral, pois – já sabemos – as questões que nascem na mente afetam todo o organismo. Por isso cresce cada vez o número de afastamentos de pessoas nas empresas.

Mas como podemos ter mais foco e concentração nas tarefas diárias sem sermos contaminados e sequestrados pelos fatores externos e isso virar uma “bola de neve” a ponto de impactar nossa saúde? Será que a tecnologia e “os outros” são realmente os grandes culpados? Não, não são. A fonte da nossa desatenção não está na tecnologia que usamos nem nas pessoas que nos acionam incansavelmente, mas sim na nossa incapacidade de concentração e de cultivar nossa atenção no momento presente, na atividade que estamos realizando no aqui e no agora. Ou seja, não precisamos de uma solução tecnológica, mas cognitiva. E isso requer disciplina, vontade e observação. Precisamos ser testemunhas do nosso próprio modo de atuar e de reagir às situações.

Nossa mente é rebelde, instável e desatenta. Quantas vezes você se distraiu até chegar nesse parágrafo? Para onde foi sua mente? Você consegue mapear o caminho que te tirou do aqui e do agora? Precisamos aprender a reconhecer os momentos de distrações e trazer a nossa mente de volta ao momento presente. E meditar pode ser a nossa grande aliada nesse momento, pois meditação se trata de prestar atenção. À medida que praticamos, favorecemos a criação de um espaço para a mente permanecer no presente – um estado de total presença que possibilita estender e manter a atenção na atividade que estamos realizando.

Antes e depois de meditar

Cultivar a atenção é um antídoto para o risco de se atravessar o dia com um automatismo de zumbi. Podemos reagir, ficar alertas ao que está acontecendo ao nosso redor, questionar rotinas automáticas ou melhorá-las. Cultivar a atenção plena ajuda a inibir hábitos descuidados com nós mesmos e as pessoas ao nosso redor (nossa equipe, nossos colegas de trabalho, nossa família). É importante fazer uma pausa em alguns momentos do dia e perceber – como está o meu corpo? Estou tenso ou relaxado? Há algum incômodo ou desconforto nesse momento? Por onde andam meus pensamentos? Como estou me comunicando?

Portanto, meditação não é um estado de relaxamento pontual. Meditação é autorresponsabilidade e transformação, porque qualquer iniciativa que nos conduza a um estado consciente e vigilante tem o poder de transformar. E a evolução individual pode conduzir à evolução coletiva (ambiente de trabalho, família etc). Se há foco e atenção, há presença, discernimento e mais clareza mental nas ações, nas palavras, nas atitudes, nas escolhas, na conduta e na postura no ambiente corporativo e na vida. Quando há mais clareza mental, há um coração que se dedica à ética, à compreensão e à colaboração, possibilitando a criação de ambientes nutridos por relações interpessoais saudáveis – o que as empresas e a sociedade de forma geral mais necessitam atualmente.

* Ricardo Balsimelli – Médico e Instrutor de Meditação Mindfulness com ênfase em compaixão com cursos online e empresa – https://www.clinicasoha.com/equipe-multidisciplinar

* Andreza Taglietti – professora de Yoga e instrutora de meditação – andrezataglietti.com

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